Fonte: Tschudi, J.J. von. Viagens as Provincias do Rio de Janeiro e Sao Paulo. Livraria Martins, SP, 1953. p. 34. Transcricao literal.
“Como ja decorreram mais de 40 anos desde a fundacao de Nova Friburgo, a maioria dos pais de familia ja sao mortos. Encontrei, contudo, um dos raros sobreviventes, numa fazenda, um anciao de 84 anos, suico do cantao de Luzerna, chamado Xaver Wermelinger, de Willsau.
Contou-me que, em sua mocidade, voltando certa vez de uma de suas excursoes como aprendiz de torneiro, sonhara que enriqueceria na America. Desde entao tal pensamento se tornou uma ideia fixa e nao cessou mais de procurar a sorte prometida.
Quando soube que reuniam colonos para Nova Friburgo, foi um dos primeiros a se alistar, seguindo com mulher e filhos. Os primeiros 12 ou 15 anos foram-lhe duros, de amargas decepcoes, pois sofreram toda a sorte de reveses que traz a miseria.
Mas aos poucos a situacao foi melhorando e, afinal, o sonho se tornou realidade, pois havia ja longos anos que vivia contente e satisfeito. Sua filha casara com um dos Heekendorn e cuidava carinhosamente do pai. Entre filhos e netos, a descendencia do velho era de 46 pessoas.”
Contexto (Camada 3 — Narrativa)
Tschudi foi enviado oficial do governo suico ao Brasil (1860-1868) para investigar as condicoes dos colonos suicos. O encontro com Xavier Wermelinger ocorreu provavelmente em 1861, numa fazenda na regiao entre Cantagalo e Aldeia da Pedra (inferencia do contexto narrativo do capitulo, pp. 28-34). E a unica fonte primaria contemporanea que descreve o fundador da linhagem brasileira dos Wermelinger em vida, com suas proprias palavras — registrando o sonho de juventude, a obstinacao, o custo dos primeiros anos e a satisfacao final. O dado de 46 descendentes em ~1861 nao existe em nenhuma outra fonte.
