A CARTA DO DR. JEAN BATISTE JOST
O que penso a respeito:
A carta escrita em 31 de dezembro de 1825 pelo médico suíço Jean Baptiste Jost, referida à Colônia Suíça de Nova Friburgo, constitui um relato contemporâneo aos fatos ocorridos e possui elevado valor sociológico e, creio, também antropológico, pois nela transparece uma realidade nua e crua.
O Dr. Jost aparenta não desejar agradar nem desagradar a quem quer que seja; limita-se a expressar aquilo que sentia.
A carta foi originalmente escrita em alemão e encontra-se vertida para o português.
Penso que o Dr. Jost revela perceptível amargor em relação à situação da Colônia, especialmente no que se refere aos imigrantes de fala alemã, que ele intuía serem discriminados.
Particularmente, acho que o Dr. Jost desejava carregar nas tintas para evidenciar uma situação verdadeiramente cruenta que se abateu sobre a Colônia e que, creio, provocou grande Dispersão.
Ao tentar mostrar um quadro extremamente adverso, acabava ele por retratar a situação de alguns ou de muitos imigrantes como instáveis, inseguras e até mesmo muito difíceis.
Creio que o Dr. Jost não pretendia tanto desconstruir as pessoas, mas, antes, mostrar que os imigrantes eram vítimas de um engodo: o de terem migrado para uma “nova terra da promessa, da abundância, da fartura e da prosperidade”, expectativa que acabou frustrada.
Ainda assim, o Dr. Jost utilizava palavras fortes, ácidas, cáusticas, que por vezes soam impiedosas.
Mais tarde, alguns imigrantes conseguiram avançar, a duríssimas penas, entre privações e provações.
Este parece ter sido o caso de nosso patriarca Xaver Wermelinger, aliás, relatado de viva voz ao diplomata e Ministro Plenipotenciário da Suíça para o Brasil e a América do Sul, Johann Jakob von Tschudi, em encontro ocorrido na antiga Aldeia da Pedra, atual Itaocara.
Xaver Wermelinger relatou ao Ministro que, quarenta anos após a instalação da Colônia Suíça da Nouvelle Fribourg, os primeiros doze a quinze anos lhe haviam sido duros e repletos de amargas decepções, marcados pela miséria.
Mais tarde, contudo, as coisas teriam melhorado, e ele afirmava estar viveendo satisfeito.
Percebo que os próprios imigrantes não desejavam apenas falar de seus infortúnios, mas também relatar uma profunda decepção.
Aqui tento relatar histórias e agruras de imigrantes da Colônia Suíça, instalada por D. João VI em 1819, imbricada e mesclada, por meio de uniões matrimoniais, com imigrantes da Colônia Alemã, instalada por D. Pedro I em 1824, em Nova Friburgo, como foi o caso do alemão Johann Erthal, que se casou com a colona suíça Catharina Wermelinger, filha de Xaver Wermelinger, tornando-se ela a matriarca da família Erthal.
As histórias de vidas vividas foram duríssimas, mas resultaram na história real.
Entretanto, contar histórias pretéritas com o pé no presente é sempre temerário.
AWA / awa
Nova Friburgo – Duas Barras – Bom Jardim,
01 de março de 2026
Domingo, DIA DO SENHOR!
Lugares das Colônias e terras da Dispersão
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Fonte: Telegram
Data: 2026-03-15
From: Tiago Wermelinger
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