tem que ter à disposição um piano, afinado em lá.
Conteudo do documento
tem que ter à disposição um piano, afinado em lá.
Aí o imprevisto bateu à porta, entrou sem pedir licença, e surgiu impetuosamente.
O sangue que então fervia, subitamente, gelou nas veias!
- Comprrenda Juju, nós não temos um piano!
Juju pressentiu logo o pânico que se instalou nos semblantes dos jovens...
Continuamos argumentando, quase suplicantes:
- Prá gente tá bom o “Sexteto” tocar sem piano. Não é a mesma coisa, mas tá bom!
O desapontamento já se transformava em frustração que os jovens tentavam disfarçar.
Juju, que era o baterista e dava voz ao conjunto, ressaltou com a mesma voz, educada e macia:
- Lamento muito.
- Espero que compreendam também, sem um piano o Sexteto não pode firmar contrato e se apresentar.
Como os rapazes eram o que o paraninfo, Professor Ferreira, meio em tom de deboche, dizia serem “bacharéis em ciências e letras”, resolveram enfrentar a tragédia que se desenrolava diante dos seus olhos.
Seríamos nós, como dizíamos ironicamente ao professor da língua portuguesa, “bacharéis em ciências ocultas e letras apagadas”?
O diálogo com Juju foi interrompido em altíssimo nível, com a ressalva para segurar a data, pois o piano seria encontrado e afinado, em lá, com toda certeza.
Juju aquiesceu e estipulou um tempo de espera e reserva da data já aprazada.
Simulamos segurança e controle da situação.
Aquele seria o primeiro desafio dos ginasianos, mas não o último.
Éramos amigos íntimos e, juntos, não admitimos o duro golpe.
Como sempre nos foi aconselhado e recomendado, procuramos buscar o apoio, os registros e as soluções no seio e nos ambientes das Famílias.
A busca mental rolou solta:
Fazendas dos Lutterbach?
Lembramos das fazendas dos Lemgruber.
As fazendas dos Monnerat, invariavelmente, tinham bons pianos.
Lógico que já ouvira, quando em visita, acompanhando o meu avô Alcides, Dona Marieta ao piano, esposa do senhor Paulino, primo de Regino Monnerat, o homem, à época, mais próspero de Duas Barras.
Antes, tínhamos que esgotar as possibilidades de pianos disponíveis nas fazendas dos Erthal, Wermelinger, em Duas Barras, propriedades dos parentes mais próximos.
Feitas as buscas nos arquivos da mente, aventou-se a solução que depois se mostraria certeira: o Piano de São Pedro!!!
Ainda por cima, constatamos depois, que se tratava de um antigo piano alemão, existente no imóvel rural originário da família do “coluna” Stephan Wermelinger, próximo à Villa das Duas Barras, conhecido como do “ramo de São Pedro”.
Por que teriam ocorrido tantas ilações?
É conveniente explicar que Antônio Wermelinger, a quem Ayres chamava vovô Nico, era casado com vovó Zina, Georgina Erthal Wermelinger, ela, como a minha avó, tinham a mesma ascendência e pertenciam ao chamado “ramo de Bom Jardim”.
Antônio Wermelinger era filho do suíço Stephan Wermelinger, e neto do patriarca Xaver Wermelinger.
Vovó Zina era neta do patriarca alemão Johann Erthal, que foi casado com Catharina Wermelinger, suíça, filha do também suíço Xaver Wermelinger.
O pai de Georgina era João Erthal Junior, que foi casado com Catharina Margarida Wermelinger.
Havia rodado na cabeça um filme da infância quando visitávamos, Ayres, d’Athayde Wermelinger Barbosa, e eu, a Fazenda São Pedro.
A casa da sede era assobradada, situada à esquerda de quem adentrava.
A via de acesso era ao centro, o terreiro de secagem de café ao lado direito.
Pertinho, um açude, situado a um tiro de espingarda e quatro cabos de machado da sede da fazenda ou à distância de um grito. Dava para chegar a pé ao açude, onde, me lembro bem, jogávamos migalhas de pão aos peixes.
Era certo, rememorei, lá em São Pedro tinha um piano!
Todos sabem que instrumentos musicais e ainda mais um piano, não se emprestam.
Daí a corrida contra o tempo.
A citação dos registros genealógicos anteriores apenas explicam e atestam os fortes vínculos familiares do pessoal da Colônia Suíça e Alemã, enfim, o caminho e a “chave” que continha um código e possuía o “condão” que possibilitaria o acesso ao Piano de São Pedro!
Falar com Manoel Godofredo Wermelinger, filho de Vovô Nico e Vovó Zina, seria moleza!
Godo
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Fonte: Telegram
Data: 2026-03-31
From: Tiago Wermelinger
Chat: direto
Tipo de fonte
telegram_live
Tipo de documento
text
Signatura / Referencia
tem_que_ter_a_disposicao_um_piano_afina_1774923276729.txt
Status
imported
Registrado em
2026-03-31 02:37:28
Notas
Auto-ingested via archive_bridge at 2026-03-31T02:37:28.982Z
Como citar:
Arquivo Wermelinger, Documento #173, tem que ter à disposição um piano, afinado em lá.. Acesso em 14/04/2026.
