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A Travessia do Heureux Voyage (1819)
A viagem da família Wermelinger entre a Suíça, o Atlântico e Nova Friburgo.
1. Introdução
Esta página reúne o que o Arquivo Wermelinger consegue sustentar hoje sobre a travessia atlântica de 1819 ligada a François Xavier Wermelinger, Catharina Eggli/Egli/Egglin e seus filhos. O ponto de partida é a carta de Franz Hunkeler, escrita em 1820, porque ela é uma fonte próxima ao evento e fala diretamente da viagem no Heureux Voyage.
A página também registra limites: algumas datas e números aparecem de modo diferente em Joye, Bon, Tschudi e fontes secundárias. Esses conflitos não são apagados.
2. O contexto da emigração suíça de 1819
A travessia faz parte da emigração suíça organizada para a formação da colônia de Nova Friburgo. As fontes locais descrevem espera na Holanda, embarque em navios diferentes, doenças, mortes e a chegada gradual de colonos ao Rio de Janeiro e à região da nova colônia.
Hunkeler é especialmente importante para o recorte do Heureux Voyage. Tschudi e fontes secundárias ajudam a situar o processo mais amplo, mas não substituem a carta de 1820 como testemunho da travessia.
3. A família Wermelinger no processo migratório
François Xavier Wermelinger, de Willisau, aparece no acervo como imigrante e patriarca do ramo brasileiro. A carta de Jost/Joste, escrita em 1825, já no Brasil, menciona Xavier de Willisau, sua esposa e seus filhos, e por isso é usada aqui como contexto posterior da família.
Essa carta posterior não prova cada detalhe da travessia, mas confirma que a família estava integrada ao grupo de colonos suíços e ajuda a entender o que aconteceu depois da chegada.
4. O Heureux Voyage
Segundo Hunkeler, o navio saiu de Texel em 11 de outubro de 1819. Ele descreve 450 pessoas a bordo, a quebra dos três mastros no mar das Canárias e chegada ao Rio de Janeiro em 23 de dezembro de 1819.
Outras fontes locais trazem números diferentes: 442 passageiros em uma tabela secundária de Weibel-Knupp, 437 em Monnerat/Vaughan, e uma tabela usada na página de Tschudi registra o Gluckliche Reise/Heureux Voyage com 233 passageiros. Por isso, esta página não escolhe um único número como definitivo.
5. A carta de Franz Hunkeler
A carta de Franz Hunkeler, preservada no Staatsarchiv Luzern sob a referência AKT 24/60.A.3, é a fonte mais forte desta página. No trecho central para a família Wermelinger, Hunkeler registra que, do comboio de Lucerna, morreram no mar apenas crianças, incluindo uma criança de X. Wermelinger.
“1 dem X. Wermelinger”
Em notas do acervo, essa menção também aparece resumida como “m. Wermelinger Kind 1”. A forma curta ajuda a catalogar o dado, mas a frase da carta deve ser lida com cuidado: Hunkeler não escreve o nome completo da criança.
6. A criança Wermelinger e a divergência das datas
O Arquivo identifica essa criança como Johann Baptist/Baptiste Wermelinger por cruzamento documental. Essa identificação é plausível e sustentada pela tradição documental do acervo, mas a página não a apresenta como se Hunkeler tivesse escrito o nome completo.
A data também é disputada. Hunkeler sustenta 28 de novembro de 1819 como data associada ao evento da morte no mar. O registro do vigário Jacob Joye aponta 20 de dezembro de 1819, provavelmente em outra lógica documental, ligada ao registro paroquial ou administrativo. Um corpus familiar posterior ainda traz 28 de dezembro de 1819, valor que deve ser tratado como tradição secundária ou possível erro de transmissão.
7. O que sabemos, o que é provável e o que permanece incerto
| Categoria | Síntese |
|---|---|
| Sabemos por fonte forte | Hunkeler escreveu em 1820 sobre o Heureux Voyage e registrou uma criança de X. Wermelinger entre os mortos no mar. |
| É provável por cruzamento | A criança é Johann Baptist/Baptiste Wermelinger, filho de François Xavier e Catharina Eggli/Egli/Egglin. |
| Permanece incerto | O número exato de passageiros, a data única de chegada e a forma de reconciliar Hunkeler, Joye e tradições posteriores. |
| Fora como certeza | Casa 81, lote 61, travessia de 80 dias e chegada em 20 de dezembro não são tratados aqui como fatos fechados. |
8. Fontes e notas
Fontes internas usadas nesta página:
- Carta de Franz Hunkeler (1820) — fonte primária da travessia e da menção à criança Wermelinger.
- Carta de Johann Baptist Joste (1825) — contexto posterior da família de Xavier no Brasil.
- Tschudi — Encontro com Xavier (~1861) — memória posterior de Xavier e contexto historiográfico.
- Franz Xaver / François Xavier Wermelinger — perfil público de François Xavier Wermelinger.
Fontes secundárias locais: Weibel-Knupp/FSJ 2015, Monnerat/Vaughan 1945 e corpus familiar Wermelinger. Elas ajudam a mapear divergências, mas não substituem a carta de Hunkeler.
